{"id":27,"date":"2013-02-28T16:24:42","date_gmt":"2013-02-28T19:24:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ogumguerreiro.org\/wp\/?p=27"},"modified":"2015-02-06T18:01:54","modified_gmt":"2015-02-06T21:01:54","slug":"as-sete-lagrimas-do-pai-preto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=27","title":{"rendered":"As Sete L\u00e1grimas do Pai-Preto"},"content":{"rendered":"<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi numa noite estranha aquela noite queda; estranhas vibra&ccedil;&otilde;es afins penetravam meu ser mental e me faziam ansiado por algo, que pouco a pouco se fazia definir&#8230;&nbsp; Era um qu&ecirc; desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunh&atilde;o com minha alma, e externava a sensa&ccedil;&atilde;o de um silencioso pranto&#8230;<br \/>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quem do mundo Astral emocionava&nbsp; assim um pobre &ldquo;eu&rdquo;? N&atilde;o o soube, at&eacute; adormecer&#8230; e &ldquo;sonhar&rdquo;&#8230;<br \/>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, vi meu &ldquo;duplo&rdquo; transportar-se, atra&iacute;do por cantigas que falavam de Aruanda, Estrela Guia e &nbsp;Zamby, eram as vozes da SENHORA DA LUZ VELADA , dessa UMBANDA DE TODOS N&Oacute;S, que chamavam seus filhos de f&eacute;&#8230;<br \/>\n\tE fui visitando Cabanas e Tendas, onde multid&otilde;es desfilavam&#8230; mas, surpreso ficava c\/ aquela &ldquo;vis&atilde;o&rdquo; que em cada um eu &ldquo;via&rdquo;, invariavelmente, num canto, pitando o seu cachimbo, que um triste preto velho, chorava.<br \/>\n\tDe seus olhos molhados, esquisitas l&aacute;grimas desciam-lhe pelas faces, n&atilde;o sei porque contei-as&#8230; foram sete.&nbsp;<br \/>\n\tNa incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei. Fala meu Preto Velho, diz ao teu filho por que externas assim uma t&atilde;o vis&iacute;vel dor?&nbsp;<br \/>\n\tE Ele, suavemente respondeu:<\/p>\n<p class=\"page-break-p\" style=\"page-break-after: always\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\t&#8211; Est&aacute;s vendo esta multid&atilde;o que entra e sa&iacute;? As l&aacute;grimas contadas est&atilde;o distribu&iacute;das a cada uma delas.&nbsp;<br \/>\n\t&#8211; A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distra&ccedil;&atilde;o, na curiosidade de ver, bisbilhotar, &nbsp;para sa&iacute;rem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas n&atilde;o podem conceber&#8230;&nbsp;<br \/>\n\t&#8211; Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os fa&ccedil;am alcan&ccedil;ar aquilo que seus pr&oacute;prios merecimentos negam.&nbsp;<br \/>\n\t-E mais outra foi para esses que cr&ecirc;em, por&eacute;m numa cren&ccedil;a cega, escrava de interesse estreitos. S&atilde;o os que vivem eternamente tratando de &ldquo;casos&rdquo; nascentes uns ap&oacute;s outros&#8230;<br \/>\n\t&#8211; E mais outra que distribui aos maus, &agrave;queles que somente procuram a Umbanda em busca de vingan&ccedil;a, desejam sempre prejudicar a um seu semelhante &#8211; eles pensam que n&oacute;s os Guias, somos ve&iacute;culos de suas mazelas, paix&otilde;es , e temos obriga&ccedil;&atilde;o de fazer o que pedem&#8230; pobres almas, que das brumas ainda n&atilde;o sa&iacute;ram.<br \/>\n\t&#8211; Assim, vai lembrando bem, a &nbsp;quinta lagrima foi diretamente aos frios e calculistas &ndash; n&atilde;o cr&ecirc;em, nem descr&ecirc;em; sabem que existe uma for&ccedil;a espiritual, e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma. Cuida-se deles, n&atilde;o conhecem a palavra gratid&atilde;o, negar&atilde;o amanh&atilde; at&eacute; que conheceram uma casa de Umbanda&#8230;<br \/>\n\tChegam suaves, tem o riso e o elogio &agrave; flor dos l&aacute;bios,s&atilde;o f&aacute;ceis, muito f&aacute;ceis; mas se olhares bem seus semblantes, ver&aacute;s escrito e letras claras: &quot;creio na tua Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zamby, mas somente se vencerem o &ldquo;meu caso&rdquo; ou me curarem &ldquo;disso ou daquilo.&quot;&nbsp;<br \/>\n\t&#8211; A sexta lagrima eu dei aos f&uacute;teis que andam de tenda em tenda, n&atilde;o acreditam em nada, buscam apenas aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o que eles buscam.<br \/>\n\t&#8211; E a s&eacute;tima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada?&nbsp; Foi a &uacute;ltima l&aacute;grima, aquela que vive nos &quot;olhos&quot; de todos os &ldquo;pretos-velhos&rdquo;; fiz&nbsp; doa&ccedil;&atilde;o dessa aos vaidosos, cheios de emp&aacute;fia, para que eles lavem suas m&aacute;scaras, e todos posam v&ecirc;-los como realmente s&atilde;o&#8230;&ldquo;Cegos, guias de cegos&rdquo;, andam se exibindo com a Banda, tal e qual mariposas em torno da luz; essa luz que eles n&atilde;o conseguem ver, porque s&oacute; visam a exterioriza&ccedil;&atilde;o de seus pr&oacute;prios &ldquo;egos&rdquo;&#8230;<br \/>\n\tOlhai-os bem, vede como suas fisionomias s&atilde;o turvas e desconfiadas; observai-os quando falam &ldquo;doutrinando&rdquo;; suas vozes s&atilde;o ocas, dizem tudo de &ldquo;cor e salteado&rdquo;, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que n&atilde;o fazem, aferrados ao conforto da mat&eacute;ria e gula do vil metal. Eles n&atilde;o tem convic&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma as sete l&aacute;grimas do Pai-Preto! &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ent&atilde;o, com a minha alma em pranto, tornei a perguntar: n&atilde;o tem mais nada a dizer, Pai Preto?&nbsp; &nbsp;E daquela &ldquo;forma velha&rdquo;, vi um v&eacute;u caindo e num clar&atilde;o imenso, que chegava a ofuscar, ouvi mais uma vez&#8230;<br \/>\n\t&ldquo;Mando a luz da minha transfigura&ccedil;&atilde;o, para aqueles que esquecidos pensam que est&atilde;o&#8230; ELES FORMAM A MAIOR DESSAS MULTID&Otilde;ES&#8230;&rdquo;&nbsp; S&atilde;o os humildes, os simples, est&atilde;o na Umbanda pela Umbanda, na confian&ccedil;a pela raz&atilde;o&#8230;s&atilde;o seu filhos de f&eacute;. S&atilde;o tamb&eacute;m os &ldquo;aparelhos&rdquo;, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas se chamam Dom e F&eacute;, e cujos sal&aacute;rios de cada noite&#8230; &nbsp;s&atilde;o pagos quase sempre com uma s&oacute; moeda, que traduz o seu valor numa uma s&oacute; palavra &ndash; a Ingratid&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fcbkbttn_buttons_block\" id=\"fcbkbttn_left\"><div class=\"fcbkbttn_like \"><fb:like href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=27\" action=\"like\" colorscheme=\"light\" layout=\"button_count\"  size=\"small\"><\/fb:like><\/div><div class=\"fb-share-button  \" data-href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=27\" data-type=\"button_count\" data-size=\"small\"><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi numa noite estranha aquela noite queda; estranhas vibra&ccedil;&otilde;es afins penetravam meu ser mental e me faziam ansiado por algo, que pouco a pouco [&#8230;]<\/p>\n<div class=\"fcbkbttn_buttons_block\" id=\"fcbkbttn_left\"><div class=\"fcbkbttn_like \"><fb:like href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=27\" action=\"like\" colorscheme=\"light\" layout=\"button_count\"  size=\"small\"><\/fb:like><\/div><div class=\"fb-share-button  \" data-href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=27\" data-type=\"button_count\" data-size=\"small\"><\/div><\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[15,16,14],"class_list":["post-27","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos","tag-lagrimas","tag-pai-preto","tag-sete"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":216,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27\/revisions\/216"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}