{"id":26,"date":"2013-02-28T16:16:20","date_gmt":"2013-02-28T19:16:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ogumguerreiro.org\/wp\/?p=26"},"modified":"2015-02-06T18:00:58","modified_gmt":"2015-02-06T21:00:58","slug":"judas-iscariotes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=26","title":{"rendered":"Judas Iscariotes"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n\t<br \/>\n\tSil&ecirc;ncio augusto cai sobre a Cidade Santa.<br \/>\n\tA antiga capital da Jud&eacute;ia parece dormir o seu sono de muitos s&eacute;culos.<br \/>\n\tAl&eacute;m, descansa Gets&ecirc;mani, onde o Divino Mestre chorou numa longa noite de agonia; acol&aacute;, est&aacute; o G&oacute;lgota sagrado, e em cada coisa silenciosa h&aacute; um tra&ccedil;o da Paix&atilde;o que as &eacute;pocas guardar&atilde;o para sempre. E, em meio de todo o cen&aacute;rio, como um veio cristalino de l&aacute;grimas, passa o Cedron silencioso, como se as suas &aacute;guas mudas, buscando o Mar Morto, quisessem esconder das vistas dos homens os segredos insond&aacute;veis do Nazareno.<br \/>\n\tFoi assim, numa destas noites, que vi Jerusal&eacute;m, vivendo a sua eternidade de maldi&ccedil;&otilde;es.&nbsp; Os Esp&iacute;ritos podem vibrar em contato direto com a Hist&oacute;ria.<br \/>\n\tBuscando uma rela&ccedil;&atilde;o mais &iacute;ntima com a cidade dos profetas, procurava observar&nbsp; o passado vivo dos Lugares Santos.<br \/>\n\tParece que as m&atilde;os iconoclastas de Tito por ali passaram como executoras de um decreto irrevog&aacute;vel. Por toda parte ainda persiste um sopro de destrui&ccedil;&atilde;o e desgra&ccedil;a. Legi&otilde;es de duendes, embu&ccedil;ados nas suas vestimentas antigas, percorrem as minas sagradas e, no meio das fatalidades que pesam sobre o imp&eacute;rio morto dos judeus, n&atilde;o ouvem os Homens os gemidos da humanidade invis&iacute;vel.<br \/>\n\tNas margens caladas do Cedron, n&atilde;o longe talvez do lugar sagrado onde o Salvador esteve com os disc&iacute;pulos, divisei um homem sentado sobre uma pedra.<br \/>\n\tDe sua&nbsp; express&atilde;o fision&ocirc;mica irradiava-se cativante simpatia.<\/p>\n<p>\t-Sabe quem &eacute; este? -murmurou algu&eacute;m aos meus ouvidos.<br \/>\n\t-Este &eacute; Judas&#8230;<br \/>\n\t-Judas?<br \/>\n\t-Sim. Os Esp&iacute;ritos apreciam, &agrave;s vezes, n&atilde;o obstante o progresso que j&aacute; alcan&ccedil;aram, volver atr&aacute;s, visitando os s&iacute;tios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se repentinamente transportados aos tempos idos.<br \/>\n\tEnt&atilde;o, mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao hero&iacute;smo necess&aacute;rio do futuro.<br \/>\n\tJudas costuma vir &agrave; Terra, nos dias em que se comemora a Paix&atilde;o de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho&#8230;<br \/>\n\tAquela figura de homem magnetizava-me.<!--more--><br \/>\n\tN&atilde;o estou ainda livre da curiosidade do rep&oacute;rter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfei&ccedil;&atilde;o de Judas existia um abismo.<br \/>\n\tMeu atrevimento, por&eacute;m, e a santa humildade do seu Cora&ccedil;&atilde;o ligaram-se, para que eu o entrevistasse, procurando ouv&iacute;-Io:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n\t&#39;-O senhor &eacute; de fato o ex, filho de Iscariotes? -perguntei.<br \/>\n\t-Sim, sou Judas -respondeu aquele homem triste, enxugando uma l&aacute;grima nas dobras de sua longa t&uacute;nica.<br \/>\n\t-Como o Jeremias, das Lamenta&ccedil;&otilde;es, contemplo &agrave;s vezes esta Jerusal&eacute;m arruinada meditando no ju&iacute;zo dos homens transit&oacute;rios.. .<br \/>\n\t-&Eacute; uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento a respeito da sua<br \/>\n\tpersonalidade, na trag&eacute;dia da condena&ccedil;&atilde;o de Jesus?<br \/>\n\t&#39;-Em parte&#8230; Os escribas que redigiram os Evangelhos n&atilde;o atentaram &agrave;s<br \/>\n\tcircunst&acirc;ncias e &agrave;s tricas pol&iacute;ticas que, acima dos meus atos, predominaram na nefanda crucifica&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n\tP&ocirc;ncio Pilatos e o tetrarca da Galil&eacute;ia, al&eacute;m dos seus interesses individuais na quest&atilde;o tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es religiosas dos anci&atilde;os judeus.<br \/>\n\tSempre a mesma hist&oacute;ria.&nbsp; O Sinedrim desejava o reino dos C&eacute;us, pelejando por Jeov&aacute; a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra e Jesus estava entre essas for&ccedil;as antag&ocirc;nicas com a sua pureza imaculada. Ora,&nbsp; eu era um dos apaixonados&nbsp; pelas id&eacute;ias socialistas do Mestre; por&eacute;m,&nbsp; o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador.<br \/>\n\tAcima dos cora&ccedil;&otilde;es eu via a pol&iacute;tica,&nbsp; &uacute;nica arma com a qual poderia triunfar e Jesus n&atilde;o obteria nenhuma vit&oacute;ria com o seu desprendimento das riquezas.&nbsp; Com as suas teorias nunca poderia conquistar as r&eacute;deas do poder j&aacute; que em seu manto de pobre se sentia possu&iacute;do de um santo horror &agrave; propriedade. Planejei ent&atilde;o, uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secund&aacute;rio e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e en&eacute;rgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro &#8211; o Grande, depois de vencer Max&ecirc;ncio &agrave;s portas de Roma o que, ali&aacute;s, apenas serviu para<br \/>\n\tdesvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre a Caif&aacute;s n&atilde;o julguei que as coisas atingissem um fim t&atilde;o lament&aacute;vel e ralado de remorsos, presumi que o suic&iacute;dio era a &uacute;nica maneira de me redimir aos seus olhos.<br \/>\n\t-E chegou a salvar-se pelo arrependimento?<br \/>\n\t-N&atilde;o. N&atilde;o consegui. O remorso &eacute; uma for&ccedil;a preliminar para os trabalhos reparadores&#8230;<br \/>\n\tDepois da minha morte tr&aacute;gica submergi-me em s&eacute;culos de sofrimento expiat&oacute;rio da minha falta. Sofri horrores nas persegui&ccedil;&otilde;es infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui tra&iacute;do,&nbsp; vendido e usurpado. V&iacute;tima da felonia e da trai&ccedil;&atilde;o deixei na Terra os derradeiros resqu&iacute;cios do meu crime na Europa do s&eacute;culo XV.<br \/>\n\tDesde esse dia em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e inf&acirc;mias que me aviltavam,&nbsp; com resigna&ccedil;&atilde;o e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarna&ccedil;&otilde;es na Terra sentindo na fronte o &oacute;sculo de perd&atilde;o da minha pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia&#8230;<br \/>\n\t-E est&aacute; hoje meditando nos dias que se foram.. &#8211; pensei com tristeza.<br \/>\n\t-Sim&#8230; estou recapitulando os fatos como se passaram.<br \/>\n\tE agora, irmanado com Ele que se acha no seu luminoso&nbsp; Reino das&nbsp; alturas,&nbsp; que ainda n&atilde;o &eacute; deste mundo sinto nestas estradas o sinal&nbsp;&nbsp; de seus&nbsp; passos divinos.<br \/>\n\tVejo-o ainda na cruz entregando a Deus o seu Destino&#8230;<br \/>\n\tSinto a clamorosa injusti&ccedil;a dos companheiros que o abandonaram inteiramente e me vem uma recorda&ccedil;&atilde;o carinhosa das poucas mulheres que o ampararam no doloroso transe. Em todas as homenagens a Ele prestadas eu sou sempre a figura repugnante do traidor.<br \/>\n\tOlho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra.. Sobre o meu nome pesa a maldi&ccedil;&atilde;o milen&aacute;ria&nbsp; como sobre estes s&iacute;tios cheios de mis&eacute;ria&nbsp; e de infort&uacute;nio.<br \/>\n\tPessoalmente, por&eacute;m estou saciado de justi&ccedil;a.<br \/>\n\tPorque j&aacute; fui absolvido pela minha consci&ecirc;ncia no tribunal dos supl&iacute;cios redentores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n\tQuanto ao Divino Mestre &#8211; continuou Judas com o seu pranto &#8211; infinita &eacute; a sua miseric&oacute;rdia e n&atilde;o s&oacute; para comigo porque se recebi trinta moedas vendendo-O aos seus algozes, h&aacute; muito s&eacute;culos ele est&aacute; sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os pre&ccedil;os, em todos os padr&otilde;es do ouro amoedado&#8230;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n\t-&Eacute; verdade, conclu&iacute; &ndash; e os novos negociadores do Cristo n&atilde;o se enforcam depois de vend&ecirc;-Io.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n\tJudas afastou-se, tomando a dire&ccedil;&atilde;o do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invis&iacute;veis para o mundo vi que no c&eacute;u brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Cedron rolava na sua quietude como um len&ccedil;ol de &aacute;guas mortas procurando um mar morto.Sil&ecirc;ncio augusto cai sobre a Cidade Santa.<br \/>\n\tA antiga capital da Jud&eacute;ia parece dormir o seu sono de muitos s&eacute;culos.<br \/>\n\tAl&eacute;m, descansa Gets&ecirc;mani, onde o Divino Mestre chorou numa longa noite de agonia; acol&aacute;, est&aacute; o G&oacute;lgota sagrado, e em cada coisa silenciosa h&aacute; um tra&ccedil;o da Paix&atilde;o que as &eacute;pocas guardar&atilde;o para sempre. E, em meio de todo o cen&aacute;rio, como um veio cristalino de l&aacute;grimas, passa o Cedron silencioso, como se as suas &aacute;guas mudas, buscando o Mar Morto, quisessem esconder das vistas dos homens os segredos insond&aacute;veis do Nazareno.<br \/>\n\tFoi assim, numa destas noites, que vi Jerusal&eacute;m, vivendo a sua eternidade de maldi&ccedil;&otilde;es.&nbsp; Os Esp&iacute;ritos podem vibrar em contato direto com a Hist&oacute;ria.<br \/>\n\tBuscando uma rela&ccedil;&atilde;o mais &iacute;ntima com a cidade dos profetas, procurava observar&nbsp; o passado vivo dos Lugares Santos.<br \/>\n\tParece que as m&atilde;os iconoclastas de Tito por ali passaram como executoras de um decreto irrevog&aacute;vel. Por toda parte ainda persiste um sopro de destrui&ccedil;&atilde;o e desgra&ccedil;a. Legi&otilde;es de duendes, embu&ccedil;ados nas suas vestimentas antigas, percorrem as minas sagradas e, no meio das fatalidades que pesam sobre o imp&eacute;rio morto dos judeus, n&atilde;o ouvem os Homens os gemidos da humanidade invis&iacute;vel.<br \/>\n\tNas margens caladas do Cedron, n&atilde;o longe talvez do lugar sagrado onde o Salvador esteve com os disc&iacute;pulos, divisei um homem sentado sobre uma pedra.<br \/>\n\tDe sua&nbsp; express&atilde;o fision&ocirc;mica irradiava-se cativante simpatia.<\/p>\n<p>\tHumberto de Campos<br \/>\n\t(Comunica&ccedil;&atilde;o medi&uacute;nica, recebida em P. Leopoldo, no dia 19 de abril de 1935 por Francisco C&acirc;ndido Xavier.<br \/>\n\tDo livro &quot;Not&aacute;veis Reportagens com Chico Xavier&quot;, Editora IDE &#8211; Instituto de Difus&atilde;o Esp&iacute;rita)<\/div>\n<div class=\"fcbkbttn_buttons_block\" id=\"fcbkbttn_left\"><div class=\"fcbkbttn_like \"><fb:like href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=26\" action=\"like\" colorscheme=\"light\" layout=\"button_count\"  size=\"small\"><\/fb:like><\/div><div class=\"fb-share-button  \" data-href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=26\" data-type=\"button_count\" data-size=\"small\"><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sil&ecirc;ncio augusto cai sobre a Cidade Santa. A antiga capital da Jud&eacute;ia parece dormir o seu sono de muitos s&eacute;culos. Al&eacute;m, descansa Gets&ecirc;mani, onde o [&#8230;]<\/p>\n<div class=\"fcbkbttn_buttons_block\" id=\"fcbkbttn_left\"><div class=\"fcbkbttn_like \"><fb:like href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=26\" action=\"like\" colorscheme=\"light\" layout=\"button_count\"  size=\"small\"><\/fb:like><\/div><div class=\"fb-share-button  \" data-href=\"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/?p=26\" data-type=\"button_count\" data-size=\"small\"><\/div><\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[13,12],"class_list":["post-26","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos","tag-iscariotes","tag-judas"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":215,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions\/215"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.ogumguerreiro.org\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}